Molhados

quarta-feira, 19 de outubro de 2011


Desconheço o medo que paralisa.
Me nego a acreditar em meias verdades.
Me fascina a sensação do risco.
Enlouqueço para encontrar a paz.
É tudo sempre além.
E além, por ser imensurável, não deixa dúvidas, nem verdades prontas.
Desconheço o medo que paralisa.
Peito aberto. 
Dedos entrelaçados.
Tirar o fôlego. 
Dois corpos. Um espaço.
Incondicional é sentimento insano.
E insano seria correr e dizer não.



in.con.di.cio.nal
adj (in+condicional) Que não é condicional, que não depende de condições.

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu poderia começar falando do dia que a gente se encontrou e da forma desastrosa e desajeitada como tudo aconteceu. Citar os desencontros e os dias de incertezas e medo de arriscar. Dos encontros seguintes até ter a certeza que seguir em frente juntos era o melhor a fazer. Poderia listar as músicas que serviram de "material de apoio" na missão comum de conquista. As frases feitas, as inventadas, as estrelas cadentes e as madrugadas. Falar dos dias cinzas em que a gente soltou as mãos. Do dia em que a gente se distraiu e o vento soprou a chama. Lembrar do silêncio e do corte no peito. Da dor física, latejante e constante que seguiu tempo à fora. Rir como sorri no dia que o sol voltou a brilhar. Do dia em que descobri que amava de verdade a mim mesma. Do dia que aprendi que não são de 7 em 7, nem de 3 em 3, é um dia de cada vez que se vive. De momento em momento. Capítulo por capítulo.  Poderia te contar como me tornei forte e capaz de virar a mesa, a esquina e  mudar de estrada. Te ensinar como abrir os braços sob o nascer do sol e sorrir em paz. Te falar de tudo que vivi nesse tempo todo, das pessoas que conheci, aquelas que ganhei e perdi. Das vezes que mudei de rotina pra não te encontrar, das vezes que desejei te encontrar. Da vontade que tive de ligar e dizer que não me importava mais com nosso quase pra sempre. Da vontade que tive de ligar e dizer Pra Sempre. Te contar como me livrei de mil toneladas de qualquer coisa que confundia com amor. Como entendi a ordem natural das coisas. Por que as pessoas ficam e outras se vão. Por que muitas nunca estiveram. Por que algumas, poucas, nunca sairão. Poderia te lembrar de cada história nossa e dos infinitos momentos bons. Da amizade compartilhada e do carinho que nunca morreu. Poderia te oferecer um mundo novo, fazer promessas e dizer que nele estarão todas as coisas que deseja. Te confundir e invadir teu sono. Continuar com uma imensa lista de tudo que eu poderia fazer e falar. Mas não cabe agora, em pequenos eternos instantes, cartas na manga. Só ouso dizer não tenha medo, siga o coração, a intuição ou a vontade. Só ouso adormecer em paz. Como se não houvesse amanhã.