Molhados

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu poderia começar falando do dia que a gente se encontrou e da forma desastrosa e desajeitada como tudo aconteceu. Citar os desencontros e os dias de incertezas e medo de arriscar. Dos encontros seguintes até ter a certeza que seguir em frente juntos era o melhor a fazer. Poderia listar as músicas que serviram de "material de apoio" na missão comum de conquista. As frases feitas, as inventadas, as estrelas cadentes e as madrugadas. Falar dos dias cinzas em que a gente soltou as mãos. Do dia em que a gente se distraiu e o vento soprou a chama. Lembrar do silêncio e do corte no peito. Da dor física, latejante e constante que seguiu tempo à fora. Rir como sorri no dia que o sol voltou a brilhar. Do dia em que descobri que amava de verdade a mim mesma. Do dia que aprendi que não são de 7 em 7, nem de 3 em 3, é um dia de cada vez que se vive. De momento em momento. Capítulo por capítulo.  Poderia te contar como me tornei forte e capaz de virar a mesa, a esquina e  mudar de estrada. Te ensinar como abrir os braços sob o nascer do sol e sorrir em paz. Te falar de tudo que vivi nesse tempo todo, das pessoas que conheci, aquelas que ganhei e perdi. Das vezes que mudei de rotina pra não te encontrar, das vezes que desejei te encontrar. Da vontade que tive de ligar e dizer que não me importava mais com nosso quase pra sempre. Da vontade que tive de ligar e dizer Pra Sempre. Te contar como me livrei de mil toneladas de qualquer coisa que confundia com amor. Como entendi a ordem natural das coisas. Por que as pessoas ficam e outras se vão. Por que muitas nunca estiveram. Por que algumas, poucas, nunca sairão. Poderia te lembrar de cada história nossa e dos infinitos momentos bons. Da amizade compartilhada e do carinho que nunca morreu. Poderia te oferecer um mundo novo, fazer promessas e dizer que nele estarão todas as coisas que deseja. Te confundir e invadir teu sono. Continuar com uma imensa lista de tudo que eu poderia fazer e falar. Mas não cabe agora, em pequenos eternos instantes, cartas na manga. Só ouso dizer não tenha medo, siga o coração, a intuição ou a vontade. Só ouso adormecer em paz. Como se não houvesse amanhã.

16 comentários:

  1. tão bom ler aqui palavras intensas, sinceras, e simples, sempre é muito bom esquecer do amanhã, pense que só o agora existe...


    Beijos querida amiga!

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  2. Ana. Quantas verdades contidas neste texto pleno de poesia e sentimento. Fico sempre muito feliz quando venho aqui e quando te recebo lá. Você e suas palavras estão cada vez mais especiais. Muito obrigada por tanto carinho. Trago novidade que diz respeito ao meu terceiro filho: Laura, Memórias Reveladas e agora o caçula: Crescendo Juntas! Em: http://www.renatahistoriasdamaternidade.blogspot.com/. Beijão!!!

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  3. Minha querida Ana,

    Um texto tão bonito, tão bem escrito. Um texto comum a todos nos sentimentos. Um texto seu e tão nosso. Lindo demais! Obrigada


    Beijos com carinho e maravilhosa semana querida.

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  4. Oi minha amiga, saudades também... Atualmente tem sido eu o ausente pois uma diversidade de escolhas estão sendo tomadas e as mudanças eminentes me exigem atenção quase total!!! Sigo postando, mas pouco visitando os pares!! Logo logo regularizarei essa situação e voltarei a me molhar como antes, como deve ser...

    Uma semana de beleza e sensatez qual esse seu texto lindo!!!! Visitei tantas histórias ao lê-lo e senti gosto de saudade feliz!

    Beijos!

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  5. Lindo! As vezes só se precisa viver.. Sorte!

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  6. Ainda que se tenha muito a compartilhar, às vezes o bem-querer se mostra em pequenas palavras simples ou até mesmo em gestos ou olhares que são ainda mais eloquentes do que os nossos melhores discursos, né, Ana?

    Que lindo tudo isso aqui, parabéns!

    Beijo grande.

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  7. Olá Ana

    Seu texto tem gosto de saudades.
    As vezes abrimos mão de coisas boas.
    mas é a vida, não existe um pra sempre.

    Beijos

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  8. aaaaah Ana!!! O que dizer disso tudo?

    A gente sempre se molha o suficiente!!! rs


    Abrç,
    Rafah!
    Eternus!

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  9. Como se não houvesse amanhã, ou talvez pareça ser o mesmo... como se cada dia fosse o último, na fala de Steven Jobs (http://consiliencia.blogspot.com/2008/11/steven-jobs-conta-3-histrias.html)

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  10. Gostei bastante do teu blog, parabéns!

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  11. Muito bom amiga, peço desculpas por não aparecer mais vezes em seu agradável recanto, a vida nos obriga a negligenciar os momentos de prazer e leitura agradável para dar conta das obrigações de trabalho. Um dia ainda serei um blogueiro profissional! bjs

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  12. Um texto lindo e emocionante, parabéns.Beijos

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  13. Conhecendo seu blog hoje através do nosso amigo.
    Valter Montani.
    Se texto é excelente estou muito feliz em conhecer e seguir mais uma amiga.
    Um feliz final de semana.
    Evanir

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  14. E é por isso que o coração espalha-se, como diz Guimarâes Rosa.
    foi bomter vindo até aqui
    Felicidades, sempre

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  15. Lindo, de mexer totalmente com o coração!! AMEI!!

    Beijos, flor!!

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  16. Muito lindo esse texto, adorei mesmoooo.
    Bjus ;*

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